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domingo, 24 de abril de 2011

PREVENÇÃO DO ESTRESSE NAS ATIVIDADES PROFISSIONAIS

Andréa Luiza da Silveira
CRP-12/02021

O trabalho é tão importante na nossa vida que o perfil de ser trabalhador faz parte de nossa personalidade. Quando nos apresentamos ou somos apresentados para alguém logo surge como forma de reconhecimento a atividade profissional. Desta forma, quando um problema atinge nossa vida profissional normalmente afeta outros contextos, como as relações familiares, por exemplo. O trabalho é mediador de integração social tanto pelo valor econômico quanto pelo valor sócio-cultural que ele tem, o que demonstra sua influência na nossa saúde física e psíquica.
No nosso dia-a-dia podemos conceber o estresse como uma reação do organismo a demandas de ordem física, psíquica, infecciosa, capaz de abalar o bem estar e até originar o “estado de estresse pós-traumático” tal qual está classificado no Código Internacional das Doenças – CID-10. Podemos identificar alguns sinais de estresse: não fazermos mais o que faziamos antes ou aumentar os erros no que fazemos; insatisfação constante; o tempo livre não é mais suficiente para recuperarmos as forças; insônia ou muito sono; irritabilidade; infecções e gripes frequentes; problemas digestivos e intestinais; problemas de pele, cabelos e unhas; diminuição da libido ou impotência; tentativa de relaxamento com álcool, comida ou demais vícios; crises de ansiedade, depressão e pânico etc. Algumas doenças ligadas ao estresse são: hipertensão arterial; úlceras; infecções; diabetes; dores lombares; artrite; alterações psicológicas. Podemos observar que nada do que está escrito aqui é desconhecido, pois tais doenças ligadas ao estresse tem feito parte da vida de muitos de nós. Será que podemos ter um modo de vida mais gratificante ou é assim mesmo e pronto?
O estresse pode estar relacionado ao tipo de vínculo que estabelecemos com os colegas de trabalho e clientes, com a atividade de trabalho e seu impacto sobre nossa saúde e com a expectativa sobre os resultados do nosso trabalho. Entre essas expectativas podemos mencionar o atendimento de qualidade ao público, o gerênciamento de equipe que envolve lidar e resolver conflitos, atingir metas, ritmo acelerado de produção, falta de controle do trabalhador sobre o sua atividade profissional etc. Neste sentido, para que não ocorra o estresse, é importante que a equipe que trabalha junto esteja preparada para lidar com as situações de conflito nas relações humanas no trabalho e as dificuldades referentes à organização do trabalho. É preciso ter uma iniciativa individual em prol de um modo de vida com mais qualidade mas também é necessária uma atitude positiva do próprio grupo que trabalha em conjunto.
Apresentamos o quadro de Di Cavalcanti que representa um grupo de trabalhadores.
A qualidade de vida é conquistada a partir de iniciativas individuais, do grupo e organizacionais. As individuias são aquelas ações que dependem mais da própria pessoa, como ter uma alimentação balanceada, fazer atividades físicas, ter lazer (teatro, cinema, passeios), encontrar formas saudáveis de relaxar (caminhar, alongar, fazer exercícios respiratórios). As atitudes do grupo são aquelas negociadas entre as pessoas, como por exemplo: dialogar, resolver os problemas em conjunto, dividir responsabilidades etc. As ações organizacionais são aquelas que possibilitam as atitudes positivas do individuo e do grupo. Elas envovem as diretrizes da organização em prol da qualidade de vida, como: ritmo de trabalho adequado, horários de almoço e descanso adequados, estratégias de resolução de problemas etc. Atendendo a estes três aspectos: organizacionais, grupais e individuais, certamente, o estresse tende a ser controlado e até mesmo a diminuir. Lembrando que cada um de nós pode fazer a sua parte para prevenir o estresse e promover a saúde de todos. Entretanto, as questões políticas mais gerais necessitam de ações planejadas e executadas pelo coletivo dos trabalhadores.


Obs.: sobre a obra de Di Cavalcanti pesquise http://lumoura.com.br/2008/05/um-pouco-sobre-di-cavalcanti/

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Estresse, emoções e problemas cardíacos.

Andréa Luiza da Silveira
CRP-12/02021
(48) 8415-4034
deasilveira@gmail.com

Quando alguém se refere aos aspectos psicológicos que influenciam nas cardiopatias, costuma citar o estresse. Hoje em dia, é comum dizer-se das situações que nós vivemos como difíceis, sofridas e emocionantes, que elas foram estressantes. Brigou com o filho aí diz “estou estressado”. Estou trabalhando além do limite, também diz, “estou estressada”. A relação amorosa não vai bem, ainda dizem, “estamos estressados um com o outro”.

Então, a palavra estresse, que serve para designar uma situação estremada, na qual a pessoa foi além de seu limite, está sendo utilizada para definir os mais diversos acontecimentos e emoções vividas em decorrência destes acontecimentos.

Ora, mas o que aconteceu afinal quando briguei com meu filho e chorei depois? O que é este sofrimento que me persegue por não conseguir um entendimento com o meu amor? Por que trabalho cada vez mais e nunca é o suficiente? Mas, se formos investigar a fundo o que, de fato, está por traz de cada exemplo destes, veremos que é muito mais que um simples estresse. Viver uma situação estremada pode-se dizer dela, que foi estressante, porque esta situação fez você passar de seu limite. Mas, chorar, tremer, irritar-se, o coração acelerar, sentir vontade de sumir etc. não é estresse e sim é uma emoção. Esta emoção, pode ser a ansiedade, a tristeza, misto de alegria/euforia e tristeza, etc. Entretanto, uma emoção, o tremor, as lágrimas, o coração acelerar e a tristeza ocorrem sempre, em uma situação específica.

As pessoas lidam de formas diferentes com os impasses, em suas vidas. Estes impasses são significativos, são importantes de uma maneira especial, para cada pessoa. Portanto, o sentido da emoção é próprio da pessoa que a viveu e daquela situação específica, isto é, enquanto uma pessoa reage explodindo, brigando outra reage chorando sem conseguir conversar. Por que chorei naquela situação? O que aconteceu que nos fez brigar, perder a calma e explodir? Por que sempre fico nervoso em dadas circunstâncias? Estas são questões relevantes, que precisam ser feitas para se entender esta dinâmica psicológica caracterizada por uma forma recorrente de agir frente às situações difíceis que ocorrem na vida das pessoas, sobretudo, daquelas que sofrem de alguma cardiopatia.

Sim! É verdade que processos emocionais podem influenciar a origem dos mais diversos tipos de doenças. Principalmente, quando a pessoa que se emociona constantemente e em diversos momentos do seu dia a dia quando se depara com dificuldades, com ocorrências que são particularmente difíceis para ela. Perante tal dificuldade, a situação que a pessoa está vivendo lhe aparece como sem saída, na vivência da falta de opção em agir para resolver o problema que se apresenta, a pessoa que se emociona age sobre si mesma chorando, desmaiando ou trancando-se num quarto escuro, sem vontade para nada.

A maneira mais adequada de agir frente aos impasses seria pensar em formas de identificar quais as possibilidades para resolver-los. Por exemplo, perguntar-se, “como fazer para resolvê-los?”. Mas, pensar e agir no sentido de resolver os problemas, os impasses e superar a tristeza, a falta de sentido na vida, o nervosismo etc., será, certamente, um aprendizado para aqueles que costumam agir no mundo através da ansiedade, da tristeza etc. Este aprendizado pode ser realizado com a ajuda de um profissional qualificado, como o psicólogo. Neste caso, não é preciso ficar doente para cuidar do coração, que cumpre uma função orgânica fundamental. Pode ser uma atitude preventiva ter uma vida com qualidade.

Mas, para aqueles que já estão doentes, não esqueçam que, além de mudar a alimentação e mudar os hábitos do dia a dia, muitas vezes, é fundamental mudar também, a atitude frente à vida. Para tanto, é aconselhável o acompanhamento psicológico.

Fotos: Fábio Carminati