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quarta-feira, 4 de março de 2009

Atualidades sobre o mercado de trabalho e perfil profissional.

Os profissionais, a partir da década de 90, passaram a investir mais na sua própria carreira do que na ascensão profissional dentro de uma organização. Isto ocorreu, pelo menos por dois motivos. Um deles é a implantação de modelos de gestão. Tais modelos promoviam a mudança organizacional e tecnológica, o que provocava às organizações a buscarem no mercado de trabalho profissionais mais capacitados para esta modificação, ao invés de capacitar os profissionais que já faziam parte da organização. Outro deles é a intensa procura dos profissionais por melhores oportunidades de trabalho, o que gerou uma certa rotatividade nas organizações.

A procura dos profissionais por melhores oportunidades abriu um campo de atividade no mercado, constituído pelos cursos de especialização, pelos cursos técnicos, cursos de poucas horas destinados a complementar a formação profissional e cursos de línguas estrangeiras. A diferença dá-se que tais cursos raramente são pagos pelo organização. Portanto, neste novo período, é o trabalhador quem deve investir na sua capacitação para o mercado de trabalho.

Esta condição da formação profissional impõe aos trabalhadores um campo de possíveis para investirem na sua formação profissional. Este campo de possíveis também se caracteriza pela valorização da técnica na inserção e ascensão profissional. Justifica-se, então, o fato das profissões tecnológicas estarem em alta (dentro da escassez dos postos de trabalho), e é exigido, cada vez mais, o trabalho qualificado.

Entretanto, há uma diferença entre mercado de trabalho, isto é, os postos de trabalho estabelecidos, e campo de trabalho, ou seja, a necessidade social de serviços. Neste sentido, há um campo de trabalho a descoberto. Dentro deste campo de trabalho a descoberto é importante conseguir prever quais setores profissionais irão abrir novos postos de trabalho.

O que foi discutido até aqui tem um objetivo: chamar a atenção para uma habilidade profissional exigida hoje em dia, qual seja, realizar uma leitura adequado do campo de possíveis apresentado pela relação mercado de trabalho e campo de trabalho.


Se você estiver pensando "o que eu faço agora?" não esqueça que a psicologia clínica pode mediar as pessoas a realizarem esta leitura. Este tipo de trabalho psicológico envolve tanto o reconhecimento das competências da pessoa, aquilo que a pessoa já realiza e aquilo que ela deseja realizar, quanto a compreensão do campo de possíveis profissional.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Crise econômica leva a crise de ansiedade?

Crises de ansiedade têm sido comuns por conta da crise econômica. Creio que é importante refletir bem sobre isto. A crise econômica está aí. Para combatê-la são necessárias atitudes no âmbito coletivo, isto é, político e social.

- Mas, enquanto o processo coletivo está se encaminhando como suportar o clima de insegurança? É o que muitas pessoas se perguntam.

O estado psicofísico das pessoas está relacionado com as condições sociais de vida. Numa situação de crise econômica e social, como a que se apresenta, isto fica ainda mais evidente. As pessoas vivenciam seu futuro como ameaçado, isto porque, concretamente o futuro está ameaçado. As vagas de emprego diminuíram, alguns trabalhadores estão sendo demitidos, as organizações estão implementando estratégias para economizar etc. Entretanto é preciso perguntar-se deixar-me levar pela ansiedade me ajuda ou me atrapalha? A resposta só pode ser uma, estar racional (reflexivo) neste momento é mais positivo do que estar ansioso.

Vamos pensar, então, como estar mais racional (reflexivo) pode ser mais positivo.

  • Primeiro, conhecer o contexto em que se está inserido profissionalmente, isto é, o mercado de trabalho;
  • Segundo, analisar as perspectivas profissionais mesmo em situação de crise, pois elas existem;
  • Terceiro, identificar estratégias para enfrentar a situação. São dois os tipos de estratégia. Um deles é fazer algo em benefício da saúde: caminhar, passear, namorar, encontrar os amigos etc. Outro deles e fazer algo em benefício da carreira: fazer um curso ou estudar por conta própria, manter contatos profissionais, pois a rede de relações é fundamental.

Não se pode esquecer que realizar-se é muito mais importante do que ter. As pessoas não se definem pelo que possuem, mas, pelo que realizam. Por isso, aprenda mais sobre como fazer um bom currículo, como se comportar numa entrevista de emprego, como lidar com dificuldades relacionadas a auto-estima, a segurança e a comunicação.

sábado, 11 de outubro de 2008

Família: solidariedade e comprometimento

Quais são os principais problemas da família moderna? Na verdade são vários. Mas, uma das demandas que se sobressaem no processo psicoterapêutico familiar está relacionada à educação dos filhos. A correria do dia-a-dia, muitas vezes relacionada às exigências do trabalho, deixa pouco tempo para o casal, para a família. Neste sentido, tendo pouco tempo para fazerem coisas juntos, aos poucos as pessoas vão se afastando, deixando de se tecer na rede familiar, sentindo-se isolados uns dos outros e que pouco ou nada tem a ver uns com os outros.

A priorização da materialidade é uma das propostas da família moderna. Ora, a materialidade é importante, condições de conforto, manutenção da saúde, alimentação, escola etc. Mas, qual a conseqüência da materialidade estar em primeiro lugar na vida das pessoas? O grau de importância oferecida aos bens - como carro, casa, decoração, festas - destaca-se demais comparado ao grau de importância das relações humanas – fazer coisas juntos, dividir tarefas e responsabilidades, compreender uns aos outros.

Por isso, no processo psicoterapeutico, procura-se viabilizar a família e o casal, propondo terem mais tempo junto. Estar junto é ter tempo e atividades dedicadas à família. Portanto, além de momentos em que as pessoas estão presentes no mesmo espaço para um almoço, uma janta, uma comemoração, é fundamental também ser fraterno um com o outro na divisão das tarefas, pois, as coisas que são compartilhadas em comum exigem atividades a serem feitas, como, por exemplo, lavar a louça, levar no médico, ajudar a fazer os deveres etc. O que une as pessoas é também o fazer junto.

Pelo que foi colocado acima é possível entender as queixas trazidas nas primeiras sessões de psicoterapia do casal, da família ou da criança. Tais queixas envolvem, então: dificuldades em experiênciar ser pai ou mãe, um dos cônjuges ou os dois pensando em se separar, a criança com problemas na escola, o adolescente com problemas na escola e de comportamento, dificuldades em dialogar.

Ressaltou-se aqui, um aspecto importante do processo psicoterapeutico, viabilizar a família e o casal para estar junto e fazer junto. Além disto, é importante também, que cada um mantenha seu espaço individual, com seus amigos, realizando seus gostos particulares etc. Neste sentido, cada família e cada casal tem sua sigularidade. Certamente que o serviço de psicologia vai levar em conta esta singularidade no processo psicoterapeutico.


segunda-feira, 2 de junho de 2008

Informações sobre técnicas psicoterápicas


Nosso objetivo neste texto é somente apresentar algumas técnicas e estratégias de intervenção em psicologia, são elas: o Processo psicoterapeutico; o Aconselhamento psicológico e a Orientação Profissional.

Através da teoria e das técnicas da psicologia clínica pode-se tratar de pacientes da terceira idade, adultos e adolescentes, bem como crianças. Os problemas mais comuns são: dúvida profissional, falta de motivação, dificuldade de concentração, dificuldades no relacionamento com a família, como o amor, com colegas de trabalho, com amigos, timidez, solidão, tristeza, depressão, esquizofrenia, entre outros. A intervenção psicológica deve servir para a superação de tais problemas, de acordo com a ética psicológica e pautada por um pensamento científico.

O processo psicoterapeutico é constituído por 3 momentos: a avaliação psicológica ou diagnóstico, a compreensão do paciente frente ao problema, superação do problema mediante perspectivas sólidas de futuro. Sistematiza-se em sessões de 55 min. que ocorrem, geralmente, uma vez por semana.

Além da psicoterapia, que media a superação de problemas de ordem psicológica envolvendo a personalidade do paciente há o Aconselhamento Psicológico. O Aconselhamento Psicológico é direcionado a problemas de ordem psicológica mais imediatos, isto é, prioriza-se uma demanda específica, como por exemplo:

  • Lidar como uma doença com risco de morte envolvendo todo o modo de vida do paciente;
  • lidar com uma doença grave que exige mudança de hábitos de vida (cardiopatias, câncer, diabetis etc.)
  • superar os impactos vividos por vítimas de acidentes traumáticos ou/e mutiladores;
  • auxiliar no tratamento médico de pacientes com dificuldades referentes à/ao :
    • sexualidade – dificuldades com a ereção, impotência, problemas em relaxar durante o ato sexual, dúvidas em relação ao prazer etc.
    • auto-imagem – achar-se gordo(a) mesmo que abaixo do peso, obesidade, achar-se feio(a) atrapalhando a paquera ou as relações humanas em geral etc.);
    • ansiedade – responder aos mais diversos contratempos com irritabilidade e agressão etc.
      • ao tabagismo;
      • alcolismo etc.
  • orientar a escolha profissional;

O aconselhamento psicológico sistematiza-se em 20 sessões de 55 min. cada. Os momentos que constituem o aconselhamento psicológico são os mesmos da psicoterapia, porém, extremamente direcionados pela demanda específica. O paciente receberá a orientação adequada, caso seja averiguado pela psicóloga a necessidade de passar-se do aconselhamento psicológico para o processo psicoterapeutico.


Dica: é sempre importante você se informar sobre a psicologia como ciência e profissão para obter um serviço de psicologia adequado. Sobre isto acesse o link www.pol.org.br, que é a página do Conselho Nacional de Psicologia.


segunda-feira, 26 de maio de 2008

O processo de escolha profissional: da dúvida à decisão

Andréa Luiza da Silveira
CRP-12/02021
deasilveira@gmail.com
(48) 8415-4034

Ter recursos para prover os meios de vida e de realização pessoal é uma preocupação de jovens e adultos. Em determinada fase da vida, geralmente, as pessoas pensam em iniciar um projeto profissional através do primeiro emprego, da realização de um concurso para uma escola técnica ou para um curso superior. Pode ocorrer, no período da escolha profissional, de se viver a dúvida e a angustia. A dúvida e a angustia fazem parte da própria escolha até se chegar à decisão. Entretanto, a dúvida e a angustia podem ocorrer também, de uma forma em que a pessoa sente-se paralisada frente aos estudos, vê-se como fracassada ou se sente perdida. Então, quando a dúvida e a angústia atrapalham o processo de escolha, como lidar com elas? Uma boa opção é recorrer-se a Orientação Profissional com um psicólogo. A Orientação Profissional auxilia o processo de escolha profissional atacando, sobretudo, três pontos: o conhecimento sobre as profissões, a relação com a aprendizagem, as possibilidades concretas que se apresentam para aquele jovem especificamente.

Ora, é comum alimentar-se a dúvida e a angustia acreditando que se deve encontrar a verdadeira vocação. Porém, a escolha jamais é definitiva. O que as pessoas têm, na verdade, são possibilidades, como, por exemplo, as condições sócios-econômicas que viabilizam certas escolhas e outras não. Para um jovem que pretende ingressar na universidade pela primeira vez existe um grande número de cursos possíveis. Para ele, a maioria dos cursos é novidade, principalmente quando ainda não teve nenhuma vivência profissional. Mas, quais são suas reais possibilidades. Para um jovem que irá prestar o primeiro vestibular, por exemplo, e sonha em ser Engenheiro Mecânico, mas precisa trabalhar. Quais estratégias ele pode lançar mão para realizar o seu sonho? A condição deste jovem é diferente da de outro jovem cujos pais são dentistas e ele pretende fazer ondontologia.

Os jovens, ao enfrentarem a escolha por uma profissão, muitas vezes são pressionados pelos familiares: ter que fazer um curso que dê dinheiro, ter que fazer um curso específico segundo o sonho do pai ou da mãe, ter que passar em qualquer curso para entrar na universidade de qualquer jeito etc. A pressão, provavelmente, proporciona tensão, ansiedade, tristeza ao jovem. A pressão familiar aliada à vivência do jovem de que a primeira escolha é definitiva, isto é, para toda a vida, pode deixá-lo ainda mais em dúvida e angustiado. E, se não bastasse a dúvida e a angustia por si só, tamanha indecisão o atrapalha ao estudar, pois, enfrenta dificuldades para concentrar-se.

Assim, vê-se que o jovem tem influências que podem ser favoráveis a um processo de escolha seguro ou influências desfavoráveis a este processo. Resta saber como lidar com elas. É importante que o jovem ao invés de conselhos tenha aberto diante de si um leque de possibilidades, isto é, condições de obter informações sobre as profissões, contato com profissionais da sua área de interesse e observar profissionais trabalhando se for permitido.

Pode-se observar que as sugestões acima são concretas. O jovem deve ser colocado frente a realidade nua e crua. E além disto, deve pensar ‘será que quero passar o resto da minha vida fazendo isto?’ ou refletir, ‘será que quero realizar esta profissão durante vários anos da minha vida?’ ‘Mas, se eu não gostar posso tentar outra coisa’.

O caso de Cal é um exemplo do que foi afirmado acima (caso e nome fictícios). O sonho de Cal era fazer medicina, desde o primeiro ano do segundo grau. Quando comunicou aos pais seu sonho eles ficaram muito felizes. Não mediram esforços para que o filho tivesse o melhor preparo. Os anos se passaram e Cal prestou o exame vestibular. Dedicou-se muito, sempre foi um bom aluno e passou no terceiro vestibular que prestou. Todos comemoraram e seus pais ficaram cheios de orgulho. Entretanto, Cal não suportou o curso de medicina. No primeiro ano viu que não queria ser médico. Não queria lidar com a doença de outras pessoas etc. Seus pais ficaram desesperados, mas Cal não abriu mão. Prestou exame novamente, desta vez para direito. E hoje, já um profissional atuante, está muito realizado como advogado.

Cal soube conversar com os pais. Apesar de eles terem ficado tristes, no início, depois se alegraram com a realização do filho. No entanto, há situações difíceis, com brigas, choros, sofrimentos, isolamento do jovem. Nestes casos, a ajuda da Orientação Profissional pode ser bem vinda.

Então, a Orientação Profissional, pode ser útil para aqueles que sofrem com uma imensa dúvida e angustia. Mas também, pode ser bastante útil nas situações em que o jovem não tem a menor idéia do que gostaria de fazer. Nada lhe agrada ou tudo lhe agrada. Nunca teve experiência profissional, não sabe como é o trabalho dos pais etc. O primeiro passo deste jovem deverá ser conhecer as profissões mais de perto.

O segundo passo propiciado pela Orientação Profissional, depois de se deparar com o conjunto de profissões possíveis a partir do seu contexto de vida, será a investigação do projeto da pessoa: o que ele fez até o momento; quais os cursos que realizou; quais as suas distrações preferidas; como ele organiza a sua vida e assim por diante. Verificando-se as suas ações cotidianas e as suas qualidades pode-se delimitar um certo perfil profissional. Por exemplo, uma pessoa tímida, com dificuldade em falar com as outras pessoas precisa superar está qualidade de ser tímida se quiser ser um profissional da área de Relações Públicas.

Um ponto muito importante que deve ser superado é a dificuldade de aprendizagem. A pessoa pode ter dificuldade em se concentrar, em ter disciplina para estudar, fica ansiosa na hora da prova e esquece a matéria e assim por diante. Estas características vão atrapalhá-la tanto nos estudos quanto na prova do vestibular ou em outro concurso e vão atrapalha-la igualmente, nos estudos e nas provas no decorrer do curso escolhido. Esta é uma das demandas que se supera mediante a Orientação Profissional.

Viu-se, brevemente, que a escolha deve ser pautada nos dados da realidade, tanto no que concerne às características individuais como no conjunto de possibilidades socioeconômicas e psicológicas que se apresenta a pessoa. A decisão deve ser orientada pelo psicólogo como uma escolha possível, não definitiva. A escolha possível em função de um determinado futuro que o jovem almeja. Portanto, esta escolha está ligada a outras relações da pessoa: amorosa, familiar, com os estudos, com o lazer, com os amigos. Por isso, é fundamental levar-se em conta que a escolha profissional está relacionadas a outros aspectos da vida das pessoas, pois envolve um estilo de viver.